{"id":56268,"date":"2022-07-18T17:01:12","date_gmt":"2022-07-18T20:01:12","guid":{"rendered":"https:\/\/cbl.org.br\/?post_type=artigos&#038;p=56268"},"modified":"2022-08-16T10:33:10","modified_gmt":"2022-08-16T13:33:10","slug":"o-livro-esta-e-continuara-vivo","status":"publish","type":"artigos","link":"https:\/\/cbltestlnx.azurewebsites.net\/es\/artigos\/o-livro-esta-e-continuara-vivo\/","title":{"rendered":"O livro est\u00e1 e continuar\u00e1 vivo"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Por Vitor Tavares \u00e9 presidente da C\u00e2mara Brasileira do Livro (CBL)<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A 26<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">a<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> Bienal Internacional do Livro de S\u00e3o Paulo, o maior evento liter\u00e1rio da Am\u00e9rica Latina, foi uma celebra\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s quatro anos de espera, editores, livreiros, distribuidores e autores puderam reencontrar seu p\u00fablico pessoalmente, um prazer interrompido pela necessidade de distanciamento social imposta pela pandemia. Tanto tempo de espera resultou em um recorde hist\u00f3rico, tanto no n\u00famero de pessoas que visitaram o evento quanto no de vendas. Dos 660 mil visitantes que compraram livros, compraram em m\u00e9dia sete exemplares, al\u00e9m da satisfa\u00e7\u00e3o de ter participado de um momento renovador e inspirador.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse resultado, aliado \u00e0 enorme participa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e jovens no evento, demonstra que o livro ainda \u00e9 reconhecido como uma plataforma para o lazer, o conhecimento, a criatividade, e muitas vezes para a esperan\u00e7a. Sem d\u00favida, a cren\u00e7a no poder de transforma\u00e7\u00e3o pela leitura continua forte.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse sentido, as livrarias desempenham uma fun\u00e7\u00e3o fundamental: a de ser um espa\u00e7o onde \u00e9 poss\u00edvel conhecer novos t\u00edtulos, folhear, experimentar, trocar ideias e sugest\u00f5es com outros leitores e leitoras, encontrar o seu autor preferido em uma sess\u00e3o de aut\u00f3grafos, enfim, viver a experi\u00eancia da leitura, que come\u00e7a muito antes do ato de ler.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, a defesa da educa\u00e7\u00e3o, da cultura, do livro e das livrarias precisa fazer parte da agenda do nosso pa\u00eds. \u00c9 o caso do Projeto de Lei 49\/2015, batizado de Lei Cortez, em homenagem ao editor Jos\u00e9 Xavier Cortez, falecido em 2021 e defensor da lei.\u00a0 Em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso, o PL prop\u00f5e que todo livro receber\u00e1 da editora precifica\u00e7\u00e3o \u00fanica por prazo de um ano, a partir de seu lan\u00e7amento ou importa\u00e7\u00e3o. O prop\u00f3sito da lei \u00e9 assegurar que livrarias de todos os portes tenham as mesmas condi\u00e7\u00f5es de log\u00edstica e comercializa\u00e7\u00e3o, garantindo que as pequenas empresas viabilizem seu produto e sobrevivam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes. Al\u00e9m de garantir a sobreviv\u00eancia das livrarias e editoras independentes, o projeto tamb\u00e9m tem, entre seus objetivos, evitar a concentra\u00e7\u00e3o do mercado livreiro nas grandes cidades; diminuir o pre\u00e7o do livro; fomentar a leitura no pa\u00eds e aumentar a exist\u00eancia das livrarias de bairro, assegurando ao p\u00fablico uma maior disponibilidade de livros e t\u00edtulos \u2013 a chamada bibliodiversidade, respeitando a sociedade plural que somos.\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A livraria f\u00edsica \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o, da distribui\u00e7\u00e3o e da visibilidade do livro, e \u00e9 para o livro e seu p\u00fablico que as livrarias existem e dela dependem.\u00a0 Quando a competi\u00e7\u00e3o amea\u00e7a pequenos neg\u00f3cios, o setor no qual est\u00e3o inseridos precisa se mobilizar para que, por meio de dispositivos legais, busque formas para que essas empresas perdurem e continuem cumprindo sua fun\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Feiras, festas, festivais e pr\u00eamios liter\u00e1rios s\u00e3o apenas alguns est\u00edmulos para desenvolver o setor editorial, promover a bibliodiversidade, fortalecer o livro, democratizar o acesso \u00e0 leitura e ajudar a formar a consci\u00eancia cr\u00edtica em leitores de todas as idades. \u00c9 parte do que conseguimos executar no campo de atua\u00e7\u00e3o do nosso setor.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 necess\u00e1ria ainda a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que contribuam para a forma\u00e7\u00e3o de leitores e que fortale\u00e7am o h\u00e1bito de ler como exerc\u00edcio da cidadania e para desenvolver economicamente nosso pa\u00eds. E n\u00e3o \u00e9 com aplica\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es ou impostos sobre o livro que trilharemos esse caminho. A tentativa de taxar o livro, seja no processo da reforma tribut\u00e1ria ou fora dela, al\u00e9m de inconstitucional representa v\u00e1rios passos para tr\u00e1s em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds que precisamos ser.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 preciso, por exemplo, fazer valer a Pol\u00edtica Nacional de Leitura e Escrita, institu\u00edda em 2018 como estrat\u00e9gia permanente para promover o livro, a leitura, a escrita, a literatura e as bibliotecas de acesso p\u00fablico em nosso pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Brasil ocupa o octog\u00e9simo quarto lugar do ranking mundial do \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH), em que os pa\u00edses mais bem posicionados s\u00e3o justamente os que registram maior volume de aquisi\u00e7\u00e3o de livros por pessoa. Precisamos defender as garantias constitucionais: o acesso \u00e0 cultura e educa\u00e7\u00e3o por meio do livro. J\u00e1 est\u00e1 mais do que comprovada a correla\u00e7\u00e3o entre crescimento econ\u00f4mico, melhoria da escolaridade e aumento da acessibilidade do livro, um produto democr\u00e1tico, capaz de ser consumido por cidad\u00e3os de todas as idades, etnias, g\u00eaneros e classes sociais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O livro \u00e9 um dos principais elementos de preserva\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o cultural de um pa\u00eds. Ele provoca o encontro com o saber, aproxima as pessoas e transfere conhecimento de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o. Pol\u00edticas p\u00fablicas para preservar e defender o livro, e aqueles que do livro vivem, s\u00e3o um investimento na expans\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e cultura nacionais. O Brasil ainda \u00e9 um pa\u00eds que l\u00ea pouco, principalmente se compararmos com a quantidade de obras produzidas, mas a Bienal Internacional do Livro de S\u00e3o Paulo realizada este ano nos mostrou que mudar essa trajet\u00f3ria \u00e9 um caminho poss\u00edvel.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">*Este artigo foi publicado no O Estado de SP, em 18\/07\/2022. <\/span><a href=\"https:\/\/opiniao.estadao.com.br\/noticias\/espaco-aberto,o-livro-esta-e-continuara-vivo,70004116353\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Confira aqui.<\/span><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"featured_media":56252,"template":"","class_list":["post-56268","artigos","type-artigos","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cbltestlnx.azurewebsites.net\/es\/wp-json\/wp\/v2\/artigos\/56268","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cbltestlnx.azurewebsites.net\/es\/wp-json\/wp\/v2\/artigos"}],"about":[{"href":"https:\/\/cbltestlnx.azurewebsites.net\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/artigos"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cbltestlnx.azurewebsites.net\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56252"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cbltestlnx.azurewebsites.net\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}