
Modelo de endowment busca atrair capital privado para apoiar projetos estratégicos para valorização do livro
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) estruturou um fundo patrimonial com aporte inicial estimado em R$ 15 milhões, pela própria entidade, com o objetivo de criar uma fonte permanente de financiamento para ações de valorização do livro no Brasil. O movimento faz parte de estratégia institucional, que passa a adotar um modelo de grandes organizações culturais e educacionais: o endowment.
No formato aprovado, o patrimônio principal é preservado e investido com perfil conservador, e apenas os rendimentos reais anuais, acima da inflação, poderão ser utilizados para financiar campanhas, projetos institucionais e iniciativas de fortalecimento da imagem do livro e da leitura. A estrutura prevê segregação contábil em relação às operações correntes da CBL, política de investimentos própria, definição de limites de risco e gestão profissional especializada.
Para Sevani Matos, presidente da CBL, a criação do fundo representa um salto de maturidade institucional para o setor editorial. “O segmento passa a contar com uma estrutura voltada à sustentabilidade de longo prazo, capaz de financiar de maneira contínua ações estratégicas de comunicação, reputação e posicionamento do livro na sociedade e deixa de depender de ciclos econômicos e passa a contribuir com a dinâmica das políticas públicas”, afirma.
Segundo Sevani, a expectativa é que o fundo também atue como plataforma de mobilização de capital privado, atraindo contribuições do próprio setor editorial, patrocínios corporativos, doações de pessoas físicas e apoios internacionais. “Não há prazo fechado para captação porque o objetivo não é pontual. A proposta é consolidar um instrumento permanente de financiamento, que cresça ao longo do tempo e fortaleça estruturalmente a cadeia do livro”, conclui.
A governança do fundo envolve a Diretoria da CBL, um Comitê de Investimentos formado por associados sem conflito de interesses e uma gestão técnica contratada com base em critérios profissionais. O modelo inclui regulamento próprio, prestação de contas periódica e mecanismos formais de transparência.
O primeiro projeto financiado dentro dessa nova arquitetura é a campanha nacional “Meu Livro, Meu Estilo”, desenvolvida em parceria com a AlmapBBDO. A campanha inaugura uma agenda permanente de valorização do livro, com foco em ampliar sua presença nos espaços de formação de opinião e comportamento.
No médio e longo prazo, o fundo poderá financiar campanhas publicitárias contínuas, estudos setoriais, produção de conteúdos estratégicos e iniciativas institucionais voltadas à ampliação da percepção de valor do livro na sociedade. A estratégia parte da premissa de que reputação, visibilidade e posicionamento são ativos econômicos relevantes para o livro e para a leitura.